O atletismo na ilha da Brava atingiu um ponto critíco onde a revolta se cruza com a resignação. Desportistas locais expressam exaustão perante o abandono, a ausência de apoio institucional e a falta de respostas por parte da Associação de Atletismo da Brava (AAB).
Segundo os relatos da classe, ao longo dos últimos dois anos a Associação praticamente não promoveu competições, falhou no acompanhamento dos corredores e não estabeleceu as condições mínimas para o desenvolvimento da modalidade.
A insatisfação atravessa diferentes gerações de atletas que representam a ilha dentro e fora do seu território:
José da Luz, atleta experiente e com historial de bons resultados, questiona publicamente a prestação de contas e a gestão da atual direção da Associação. Enquanto que Leninha denuncia o abandono do setor feminino, sublinhando que as atletas só são contactadas pontualmente em vésperas de provas, sem que haja qualquer acompanhamento continuo.
Mais dois nomes juntam-se as suas vozes ao protesto, o primeiro é Zemilson, jovem promessa do atletismo local, que aponta a ausência de diálogo e a indisponibilidade do presidente da AAB no momento de esclarecer as dúvidas dos atletas. E o outro é o veterano da modalidade, Aguinaldo, que lamenta a perda de motivação dos mais jovens que, apesar do potencial e da vontade de ingressar no atletismo, não encontram incentivo para continuar.
Apesar da estagnação oficial, a prática do atletismo mantém-se viva por iniciativa própria. Os próprios corredores têm assumido a organização de rotinas e a busca de meios para garantir a participação em provas.
Na ausência da estrutura associativa, o suporte à modalidade tem provindo de iniciativas individuais e de figuras ligadas ao desporto como Orlandinho Mascarenhas que tem assegurado equipamento essencial, como camisolas, sapatilhas, materiais diversos e medalhas destinadas às categorias de formação e seniores.
Joaquim Fortes “Quinzinho”, uma referência no atletismo bravense, continua a prestar apoio direto e prepara novos projetos direcionados ao fortalecimento do setor na ilha.
“Como é possível quem está fora da Brava demonstrar maior preocupação com os atletas bravenses do que as entidades que têm a responsabilidade formal de cuidar deles?” — perguntam esses atletas supracitados.
Diante do cenário atual, os desportistas locais dirigem um apelo urgente à Federação Cabo-verdiana de Atletismo (FCA) para que interceda, avalie a situação da AAB e tome as medidas necessárias para evitar o encerramento das atividades na ilha.
Os atletas reforçam que as suas reivindicações não envolvem privilégios, mas sim a garantia de transparência, respeito, calendário competitivo e canais regulares de comunicação.
Os atletas correm pela Brava. Agora, quem vai correr pelos atletas?
Créditos: Desporto Brava


