Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

“O futebol cabo-verdiano está vivo. A federação hoje desperta interesse que não tinha no passado.” – Mário Semedo em entrevista à RCV

O presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo, deu uma entrevista ao jornalista Benvindo Neves, no programa “Discurso Direto” da RCV, para falar da sua reeleição, no dia 10 de janeiro, a frente da instituição que gere o futebol em Cabo Verde.

O Futuro da FCF: Entre a euforia do Mundial e os desafios do futebol interno

Após ser reeleito para mais um mandato à frente da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), Mário Semedo detalhou, em entrevista ao jornalista Benvindo Neves, as prioridades para o quadriénio 2026-2030. No horizonte, a histórica participação no Mundial, a histórica qualificação da seleção feminina para a Copa de África das Nações 2026, a criação e a participação da seleção de futsal nas eliminatórias para a Copa de África das Nações e a reforma das competições nacionais dominam a agenda.

No rescaldo de uma eleição disputada na sede da FCF, onde venceu a lista de Álvaro Iliseu Cardoso, por 7 votos a 5, Mário Semedo quebrou o silêncio.

Em conversa no programa “Discurso Direto”, o líder federativo abordou desde a “estabilidade emocional” necessária para gerir o sucesso dos Tubarões Azuis até às críticas sobre a organização do campeonato nacional.

Rumo aos Estados Unidos: A logística do Mundial 2026

Um dos pontos altos da entrevista foi a preparação para o Mundial 2026. Semedo revelou que a FCF já definiu o local de estágio e a base da seleção nos Estados Unidos da América.

O presidente sublinhou, sem avançar nomes, que a escolha das infraestruturas hoteleiras e desportivas foi feita com critério rigoroso para garantir que a equipa técnica e os jogadores tenham o máximo de conforto.

Reforma do futebol interno: O modelo de 12 Equipas

Reconhecendo a demanda à competitividade local, Mário Semedo anunciou a implementação de um novo modelo para o campeonato nacional como sendo a grande marca que pretende deixar no mandato que inicia agora e termina em 2030.

Semedo propõe uma liga com 10 a 12 equipas, jogando no sistema de todos contra todos, em casa e fora. “Criar um modelo que satisfaça as necessidades e possa projetar ainda mais o futebol interno. Um modelo em que as equipas possam competir durante todo o ano entre elas. Projetava o nosso futebol e ajudava a criar uma mentalidade profissional aos nossos jogadores e treinadores. Mas isso não depende só da FCF, depende de muitas coisas, ainda mais num país arquipelágico”.

A polémica das eleições e a credibilidade

A entrevista não fugiu aos temas espinhosos. Semedo lamentou as insinuações de “batota” e as tentativas de impugnação feitas pela candidatura adversária.

O presidente reeleito destacou que a presença de observadores da FIFA e da CAF no ato eleitoral do dia 10 de janeiro valida a integridade do processo. E realça “o futebol cabo-verdiano está vivo. A federação hoje desperta um interesse que não tinha no passado, e isso é fruto do trabalho, não do que se diz.”

Apesar do clima tenso, Semedo estendeu a mão ao seu opositor, Iliseu Cardoso, afirmando que “é o momento de trabalhar juntos” pelo bem comum do desporto rei no país.

Durante a abordagem do tópico, Eleições na FCF, Semedo declarou que num primeiro não pretendia se candidatar, porém “penso que todos nós temos o direito de reconsiderar as nossas posições. Fui aconselhado por algumas pessoas de rever a minha posição, analisei e vi que faria todo sentido continuar com a equipa, com o grupo de trabalho tendo em conta tudo o que fizemos e tendo em conta que estamos a trabalhar a alguns anos nesse projeto.”

E afirmou que “chamei o outro candidato e disse-lhe que em princípio não estava para ir, mas que a situação mudou, que eu ia apresentar a minha candidatura e que eu estaria disposto a entregá-lo na minha lista, mas não aceitou”.

Captação de talentos e formação

Semedo confirmou que a FCF continua a fazer uma “pesquisa constante” de jogadores na diáspora que possam acrescentar valor à seleção nacional. No entanto, reforçou que o sucesso a longo prazo depende do apoio à formação local, onde os clubes regionais desempenham um papel vital que a federação pretende reforçar.

Pode ouvir toda a entrevista basta acedendo ao link: https://www.youtube.com/watch?v=9ldIArmGgQ8&t=2883s. Uma conversa de 50 minutos, onde Mário Semedo, abordou ainda o ano de 1999 quando chegou a FCF pela primeira vez.

Numa altura em que era difícil encontrar pessoas para completar a lista para se apresentar as eleições na instituição. E que nessa altura a FCF dispunha apenas de um quarto (com apenas uma maquina de datilografia), que servia como sede no Pavilhão Gimnodesportivo Vavá Duarte e que na conta bancaria dispunha apenas de quatro mil escudos.

Perfil Biográfico: Mário Semedo (Resumo)

Mário Semedo é uma figura central na história do desporto em Cabo Verde, sendo amplamente reconhecido como o “arquiteto” da modernização do futebol no país.

Com uma ligação de décadas à Federação Cabo-verdiana de Futebol, Semedo cumpriu inicialmente um ciclo de 16 anos na presidência. Após um interregno, regressou ao cargo em 2017 e foi sucessivamente reeleito, tendo iniciado em janeiro de 2026 o seu mais recente mandato (2026-2030).

Sob a sua liderança, Cabo Verde alcançou marcos históricos, incluindo a conquista da Taça Amílcar Cabral (2000), múltiplas qualificações para quatro edições da CAN e o apuramento inédito para o Mundial 2026.

Em 2024, foi distinguido com o Prémio Pan-africano em Excelência de Gestão, um reflexo da sua visão estratégica e competência na governação desportiva. É descrito como um dirigente metódico e discreto, focado na sustentabilidade institucional e na projeção internacional dos Tubarões Azuis.

Deixar um comentário