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Ana Veiga: A paixão pelo andebol, a formação de jovens e o desafio de liderar uma equipa sénior masculina

No panorama desportivo de Santiago Norte, poucas histórias traduzem tão bem a dedicação, a superação e o amor ao desporto como a da professora Ana Maria da Veiga. Conhecida carinhosamente no meio desportivo e pelos seus atletas pela alcunha de “Kassius”, Ana construiu uma caminhada notável que a levou dos primeiros remates informais nas comunidades de Espinho Branco e Pilão Cão aos grandes palcos do campeonato regional e nacional, culminando agora numa inspiradora transição para o banco de suplentes como treinadora da equipa sénior masculina da Escola Técnica Grão-Duque Henri de Assomada, em Santa Catarina de Santiago, e como líder comunitária.

O primeiro contacto de Ana Maria com a bola de andebol aconteceu durante o seu 10.º ano de escolaridade. Sem habilidade técnica inicial, a jovem aluna sentiu-se fascinada pela plasticidade do jogo — em especial pelo salto no momento do remate. Determinada, procurou encaixar-se nas equipas escolares e, mais tarde, levou o seu entusiasmo para os torneios interzonais em Espinho Branco e Pilão Cão, iniciando uma trajetória ininterrupta na modalidade.

Ao longo dos anos, vestindo as cores de clubes como Assonhagar, SOS e US (todos de Santa Catarina), assumiu-se como uma jogadora polivalente, atuando em quase todas as posições, inclusive a de guarda-redes. O ponto alto da sua carreira como atleta chegou com a conquista de títulos regionais e a oportunidade de representar Santiago Norte no Campeonato Nacional. Dessas etapas de alta competição, Ana Maria guarda como recordação mais marcante a dramática meia-final contra a equipa da Palmeira (Sal), decidida no prolongamento por apenas um ponto de diferença. Um duelo de enorme entrega emocional que moldou o seu caráter desportivo. Contudo, o momento que mais a marcou pessoalmente foi assistir ao seu próprio filho a jogar andebol com a mestria e paixão que ela própria sempre almejara.

A transição inesperada para o banco de treinadora

A passagem de Ana Maria da Veiga para o comando técnico não resultou de um plano traçado, mas sim de um convite irrecusável surgido no seio da comunidade escolar. Como colaboradora e professora na Escola Técnica Grão-Duque Henri (ETGDH), aceitou o pedido dos alunos para orientar alguns treinos e acompanhá-los nas competições escolares, com o intuito inicial de partilhar a sua experiência e táticas.

«Jamais me via naquela posição. Dizia a mim mesma que não tinha “dom” nem “cabeça” para isso. Mas quando comecei a orientá-los, vi a dedicação e a evolução de cada um. Não quis deixá-los na mão e peguei o gosto pela coisa», realça a nossa entrevistada.

O projeto, que começou focado apenas em jogos inter-escolares, ganhou uma dimensão surpreendente. Em 2024/2025, a equipa da ETGDH estreou-se oficialmente no Campeonato Regional de Santiago Norte no escalão Sub-18 masculino, após uma prestação surpreendente no Torneio 13 de Maio (Santa Catarina) frente à experiente equipa de Graciosa.

Perante a escassez de jogos no calendário oficial Sub-18, Ana tomou a decisão estratégica de abrir as portas da equipa a atletas externos e veteranos que se encontravam parados, permitindo criar uma estrutura sénior e dinamizar dois escalões competitivos simultaneamente. A partir de outubro de 2025, a equipa da ETGDH viveu um período de ouro: sagrou-se campeã regional nos Jogos Escolares de Santiago Norte, participou nas Olimpíadas do Desporto Escolar na Praia e venceu de forma invicta os torneios Interlicéus ao longo de três meses de competição, somando mais de 50 atletas sob a sua orientação.

Como mulher a liderar um grupo predominantemente masculino e jovem, “Kassius” conquistou uma autoridade natural pautada pelo respeito e pela firmeza pedagógica. O rendimento desportivo está estritamente associado ao desempenho escolar: atletas com notas baixas ou comportamentos inadequados sofrem sanções temporárias e ficam de fora dos jogos. Esta exigência tem gerado transformações visíveis, desenvolvendo o autocontrol emocional em jovens anteriormente impulsivos e promovendo uma melhoria direta nos resultados académicos.

O futuro do andebol em Santiago Norte:

Apesar dos sucessos alcançados, Ana Maria aponta desafios estruturais no panorama desportivo regional. A escassez de clubes e as dificuldades financeiras — superadas na ETGDH graças ao apoio crucial de madrinhas e do esforço coletivo dos próprios atletas — mostram que a modalidade necessita de maior atenção.

Para a treinadora, o caminho passa pela descentralização dos apoios desportivos, dando ao andebol a mesma visibilidade e financiamento atribuídos a outras modalidades. A curto prazo, o objetivo do projeto da ETGDH é marcar presença nos campeonatos nacionais; a longo prazo, Ana Maria nutre o sonho de fundar uma Escola de Andebol em Santiago Norte, aberta a todas as faixas etárias.

Para terminar, Ana Maria da Veiga, “Kassius”, afirma: «O andebol é para todos, não importa o sexo nem a faixa etária. Aos órgãos que apoiam o desporto, peço que deem mais atenção a esta modalidade. Fazendo isso, estão a contribuir para o bem maior da nossa comunidade e a afastar os jovens de hábitos negativos e vícios.» A treinadora não esquece ainda de agradecer às madrinhas do projeto, Jassira Monteiro e Márcia Veiga, à sua comissão técnica (Djuny Leonor e Dulcídio Ferrer), a todos os colegas atletas e aos seus “meninos”, os “minis de Kassius”.

Por: GAFT Sports

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