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África Show quebra o silêncio: “Não podemos aceitar condições suficientes para uns e inaceitáveis para outros”

O Sport Club África Show, estreante nos palcos do Campeonato Nacional de Futebol de Cabo Verde, elevou o tom de voz este sábado para manifestar o seu “profundo sentido de indignação e tristeza” perante o que considera ser um tratamento desigual entre os clubes da prova. Em causa está a gestão logística do alojamento das equipas visitantes e as decisões da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF).

Tudo começou na jornada em que o África Show recebeu o Cutelinho (Fogo). Sem centro de estágio na ilha, o clube recorreu ao Polidesportivo Municipal de Sal Rei — um espaço que, segundo a direção, oferece condições dignas, incluindo ar condicionado e balneários funcionais. No entanto, o emblema do Fogo terá recusado o local “com base em informações de terceiros”.

A direção do clube da Boa Vista revela que a FCF acabou por “interditar” o uso do Polidesportivo para a receção de equipas, sem apresentar alternativas que não passassem por unidades hoteleiras com custos entre os 250 e os 500 contos (CVE) — valores que o clube classifica como “incomportáveis”.

“Caso as condições não fossem dignas, não as teríamos nós próprios utilizado”, sublinha o comunicado, revelando que a comitiva do África Show acabou por estagiar no referido pavilhão e consumir as refeições planeadas para o adversário, como prova de que o espaço era adequado.

O clube recorda que este cenário não é novo, referindo que o Sal Rei, na Taça de Cabo Verde, enfrentou pressão semelhante para alojar visitantes em hotéis de luxo. Para o África Show, está a criar-se um precedente perigoso que ignora a realidade financeira da maioria dos clubes nacionais.

Em contrapartida, o clube aproveitou para lançar uma “farpa” construtiva ao comparar a situação com a sua atual condição de visitante. Recentemente recebidos pelo Atlético de São Nicolau, os campeões da Boa Vista aceitaram alojar-se numa sala com casas de banho partilhadas.

“Aceitámos estas condições com espírito de irmandade (…) O que nos indigna é que as mesmas condições sejam consideradas suficientes para uns e inaceitáveis para outros”, lê-se no documento.

O comunicado termina com um apelo à justiça e à união no futebol cabo-verdiano, lembrando que o desporto “não vive apenas de campos relvados e hotéis”, mas de “igualdade de oportunidades”.

A Direção do África Show garante que continuará a lutar por um futebol “mais humano”, num momento em que o clube faz história ao representar a Ilha das Dunas pela primeira vez na elite do futebol nacional, apesar dos recursos financeiros limitados e da dependência de apoios comunitários.

Até ao momento, a Federação Cabo-verdiana de Futebol ainda não se pronunciou oficialmente sobre as críticas relativas à interdição das infraestruturas desportivas na Boa Vista.

Fonte: África Show (Página oficial Facebook)
Por: GAFT Sports

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