Sidny Lopes Cabral está a viver, num curto espaço de tempo, o que muitos jogadores não experienciam numa carreira inteira. Em poucos meses, passou de contratação sonante de José Mourinho para o SL Benfica a um jogador “riscado” e depois “repescado” na Luz, encontrando agora na seleção de Cabo Verde o oxigénio necessário para provar o seu valor.
Depois de uma exibição de encher o olho frente ao Chile (onde somou um golo e uma assistência), Sidny voltou a ser o elemento desequilibrador no recente embate frente a Finlândia, apesar desta feita ter começado o jogo no banco de suplentes e só ser lançado na partida aos 61 minutos.
Não foi preciso muito em campo para mostrar serviço! Quando o cronómetro marcava 67 minutos e a derrota parecia bater à porta, o lateral demonstrou frieza e precisão: um pontapé de canto milimétrico encontrou a cabeça do defesa-central Kelvin Pires, que restabeleceu a igualdade. O empate persistiu, levando a decisão para a “lotaria” das grandes penalidades, onde a eficácia cabo-verdiana (4-2) garantiu o triunfo.
A ascensão de Sidny no Benfica foi fulgurante. Contratado ao Estrela da Amadora no último mercado de inverno, o jogador caiu rapidamente nas boas graças de José Mourinho, somando minutos e participações diretas em golos. No entanto, o cenário mudou drasticamente após o playoff da Champions League frente ao Real Madrid.
O motivo? Um gesto de fair-play que foi interpretado como “traição” pela estrutura encarnada. Ao pedir a camisola a Vinícius Júnior no final da segunda mão, Sidny terá ferido suscetibilidades internas. Recorde-se que, na primeira mão, o Real Madrid acusou o benfiquista Prestianni de insultos racistas contra o brasileiro — um caso que resultou num jogo de castigo para o argentino por parte da UEFA.
A direção do Benfica, solidária com Prestianni e descontente com o timing da abordagem de Sidny a Vini Jr., terá colocado o lateral “no gelo”. Desde então, as oportunidades de águia ao peito escassearam.
Alheio às questões disciplinares na Luz, o selecionador Bubista foi claro na sua postura: o que conta é o rendimento em campo. Ao não se intrometer no conflito entre o jogador e o clube, o técnico colheu os frutos de um Sidny focado e sedento de jogo.
Com estas exibições, Sidny Lopes Cabral não só recupera a confiança, como coloca o seu nome na linha da frente para a titularidade indiscutível no Mundial 2026. Se no Benfica o futuro é incerto, em Cabo Verde, o lateral já é o herói que dita o ritmo da equipa.
Por: GAFT Sports


