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“O andebol cabo-verdiano tem talento, mas precisa de profissionalismo para não estagnar.” – Leandro Semedo

O capitão da Seleção Nacional de Andebol, Leandro Semedo, foi o convidado da última edição do programa Café Central, da Rádio de Cabo Verde. Em conversa com o jornalista Benvindo Neves, o lateral-esquerdo analisou o percurso da seleção nacional após a conquista da medalha de bronze no CAN 2026, reforçando o estatuto de Cabo Verde como uma potência emergente na modalidade.

Desde 2020, o andebol cabo-verdiano vive uma ascensão meteórica. Em apenas seis anos, a seleção acumulou quatro participações em Campeonatos Africanos — subindo ao pódio por duas vezes — e garantiu a sua quarta qualificação consecutiva para o Campeonato do Mundo.

A conquista do bronze na última prova continental foi vivida com um misto de celebração e ambição. Para o capitão, embora o objetivo fosse repetir ou superar a final de 2022, manter-se no pódio é a prova de que Cabo Verde “pertence à elite”.

O lateral-esquerdo, uma das figuras de proa da “Geração de Ouro” do andebol cabo-verdiano, não poupou elogios ao potencial dos atletas, mas deixou avisos sobre as carências estruturais que ainda travam o crescimento do país no panorama internacional.

Semedo destacou o compromisso inabalável do grupo de trabalho. Para o capitão, vestir a camisola de Cabo Verde continua a ser o ponto mais alto da carreira de qualquer jogador, sublinhando que a união do balneário tem sido o segredo para os resultados históricos alcançados nos últimos anos, nomeadamente a presença constante em Mundiais e a chegada à final do CAN.

Um dos pontos mais sensíveis da conversa tocou na disparidade entre o talento individual e as condições de treino no arquipélago. Leandro Semedo — capitão da seleção que se qualificou para quatro Mundiais e quatro edições do CAN, somando duas medalhas continentais — apontou a necessidade urgente de: melhores infraestruturas (faltam pavilhões com pisos adequados e dimensões regulamentares que permitam uma preparação de alto nível); competitividade interna (reforço do campeonato nacional para que os jogadores que atuam internamente possam subir o ritmo); e logística (importância de um planeamento antecipado para evitar sobressaltos em viagens e permitir a realização de mais estágios, criando rotinas de jogo entre os atletas a semelhança do que fazem os nossos adversários nomeadamente o Egito, Tunísia e Argélia).

“Temos jogadores com uma capacidade física e técnica incrível, mas o talento por si só não chega quando defrontamos potências que têm o andebol estruturado como uma ciência”, afirmou o capitão durante a conversa no Café Central.

Olhando para o horizonte, Semedo mostrou-se otimista, mas vigilante. O capitão acredita que Cabo Verde já conquistou o respeito do mundo do andebol, mas que a manutenção nesse patamar exige uma transição para um modelo mais profissional e menos dependente do “improviso” ou do esforço isolado dos atletas.

A entrevista serviu também para Leandro Semedo lamentar o facto de a seleção de andebol nunca ter realizado um jogo em solo nacional (o que faz com que os jogadores de andebol sejam pouco conhecidos em Cabo Verde pelos miúdos que podem dar continuidade ao legado existente) e para reforçar o papel dos jogadores mais experientes na integração dos jovens talentos, garantindo que a chama do andebol cabo-verdiano continue acesa nas próximas competições internacionais.

Pode escutar a entrevista na íntegra no link seguinte: https://www.youtube.com/watch?v=0m4QSEZ91JQ&t=692s

Por: GAFT Sports

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