O futebol africano vive um momento de euforia ofensiva, mas o pragmatismo parece levar a melhor quando o troféu está em jogo. O equilíbrio extremo tornou-se a nova norma no futebol continental.
Esta edição da CAN entrou para os livros de história como a mais prolífica de sempre, atingindo a marca dos 120 golos, superando o recorde anterior de 102 golos estabelecido na edição de 2019 (a primeira com participação de 24 equipas).
No entanto, este festival de golos parou abruptamente nas meias-finais, onde se registou apenas uma finalização em jogo corrido (Senegal 1-0 Egito e Nigéria 0-0 Marrocos, 2-4 nas grandes penalidades) — o número mais baixo nesta fase da competição desde 1978.
Desde que o Egito derrotou a África do Sul por 2-0 em 1998, o continente nunca mais assistiu a uma final decidida com “conforto”.
As últimas 13 finais foram um exercício de tensão máxima, decididas pela margem mínima ou na “lotaria” das grandes penalidades.
● Confira o histórico das últimas 13 finais:
2000: Camarões 2-2 Nigéria – Vitória do Camarões nas grandes penalidades por 4-3.
2002: Camarões 0-0 Senegal – Vitória do Camarões nas grandes penalidades por 3-2.
2004: Tunísia 2-1 Marrocos – Vitória da Tunísia no tempo regulamentar.
2006: Egito 0-0 Costa do Marfim – Vitória do Egito nas grandes penalidades por 4-2.
2008: Egito1-0 Camarões – Vitória do Egito no tempo regulamentar.
2010: Egito1-0 Gana – Vitória do Egito no tempo regulamentar.
2012: Zâmbia 0-0 Costa do Marfim – Vitória da Zâmbia nas grandes penalidades por 8-7.
2013: Nigéria 1-0 Burquina Faso – Vitória da Nigéria no tempo regulamentar.
2015: Costa do Marfim 0-0 Gana – Vitória da Costa do Marfim nas grandes penalidades por 9-8.
2017: Camarões 2-1 Egito – Vitória do Camarões no tempo regulamentar.
2019: Argélia1-0 Senegal – Vitória da Argélia no tempo regulamentar.
2021: Senegal 0-0 Egito – Vitória do Senegal nas grandes penalidades por 4-2.
2023: Costa do Marfim 2-1 Nigéria – Vitória da Costa do Marfim no tempo regulamentar.
O novo recorde de 120 golos demonstra uma evolução na competitividade das seleções consideradas “pequenas”, que contribuíram para um aumento da média de golos na fase de grupos. Contudo, à medida que a pressão aumenta, as defesas fecham-se.
O contraste é evidente: enquanto o torneio em geral nunca foi tão generoso em golos, as fases decisivas (meias-finais e finais) continuam a ser decididas no detalhe, provando que, em África, as finais não se jogam para dar espetáculo, mas sim para ganhar.
Por: GAFT Sports


