Por vezes acontecem coisas que nos deixam de boca aberta, surpresos! Até nos fazem pensar que somos predestinados! Senão vejamos!
Ianique Stopira anunciou a sua despedida da Seleção Nacional no dia 5 de junho de 2024 e uma semana depois foi homenageado em pleno Estádio Nacional pela Federação Cabo-verdiana de Futebol, no intervalo do jogo Cabo Verde 1-0 Líbia.
O lateral-esquerdo, na altura, recebeu das mãos do presidente Mário Semedo, uma camisola com o número 2 nas costas (número da camisola que vestia na seleção) e 62 na parte de frente (número de internacionalizações, agora são 63).
Certamente, não passava pela cabeça do Stopira que um ano e três meses depois, que o selecionador nacional Pedro Brito “Bubista” o convenceria a regressar num momento complicado, tendo em conta as opções para o setor defensivo. Pois, Logan Costa ainda está a recuperar de uma lesão e Diney Borges estava em dúvidas para jogo frente as Maurícias. Do lote dos que normalmente são a primeira escolha só restava Pico Lopes e o ainda inexperiente nestas andanças Kelvin Pires (apenas 2 internacionalizações).

Mais do que opção para jogar, acredita-se, sobretudo, que a escolha em Stopira estava (e está) relacionado com a liderança, carisma e experiência. Pois, estávamos muito perto de fazer história e mais uma voz do comando no seio grupo, a juntar-se aos veteranos Ryan Mendes, Vozinha e Garry Rodrigues, poderia ser muito útil em momentos de aperto, de emoção ou pressão. Como, acreditamos que foi no jogo na Líbia.
Stopira fez a sua estreia na seleção principal em 2008, frente às Maurícias. Não integrou a lista dos convocados para a fase final da CAN África do Sul 2013, devido a uma lesão. Porém, disputou as outras três edições em que participamos 2015 na Guiné Equatorial, 2021 nos Camarões e 2023 na Costa do Marfim.
Regressou porque a sua história enquanto Tubarão Azul ainda não tinha terminado. E retomou no mesmo palco, onde no dia 13 de julho de 2024 tinha sido determinante na conquista do título de campeão de Cabo Verde pelo Boavista FC da Praia. Tinha feito o golo do triunfo dos axadrezados frente ao FC Derby, de São Vicente.
Esta segunda-feira voltou a jogar pela seleção e voltou a marcar. Não foi o golo da vitória. Mas, este golo ficará marcado para a eternidade na lista dos golos desta bela caminhada de Cabo Verde que culminou com o apuramento, pela primeira na sua história, para um mundial de futebol.
Por vezes acontecem coisas, dignas de contos de fadas!


